Por Michele Marques 15/09/2015 0 comentário(s)
A alíquota da CPMF poderá ser maior que os 0,2% anunciados ontem pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento). Apesar de o governo ter decidido que toda a arrecadação da CPMF ficará com a União para custear a Previdência Social, a presidente Dilma Rousseff já sabia que, assim que a proposta fosse apresentada, o governo seria pressionado pelos governadores a dividir os recursos da nova CPMF com os estados, que também estão com seus caixas combalidos. Em encontro com a presidente na noite de ontem, governadores da base aceitaram negociar aumento da nova CPMF no Congresso.
Com isso, o Planalto está ouvindo propostas dos governadores para ampliar a alíquota. A ideia é fazer uma troca em busca de votos no Congresso: os governadores definem um percentual além dos 0,2%, de forma que a diferença seja repassada diretamente aos estados, e os governadores assumem o compromisso de conseguir apoio de suas bancadas para aprovar a CPMF.
— Vamos fazer uma conversa franca sobre isso. Vamos ver o que cada um propõe. O importante é que o governo consiga abrir essa discussão (da recriação da CPMF) com o Congresso — afirmou ontem um integrante do governo ao GLOBO.
JANTAR COM GOVERNADORES
Ontem mesmo, Dilma entrou em campo na defesa da aprovação da CPMF. À noite, jantou com 19 governadores aliados no Palácio da Alvorada. Ao longo do dia, ela conversou com líderes aliados na Câmara, entre eles, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), sugerindo a negociação.
Segundo os parlamentares, a presidente disse que a alíquota proposta seria mais baixa que os 0,38% cobrados anteriormente, sendo o imposto específico para custear a Previdência e temporário, mas que, se o Congresso quiser, poderá incluir estados e até municípios.
— Por mais duro que seja falar em aumento de impostos, neste momento é importante discutir isso sobretudo para estados e municípios. Em alguns casos, a situação fiscal é mais grave do que da União — afirmou Picciani.
O GLOBO
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